Beleza africana: as fotos de Holanda Cavalcanti + a música de NGola Ritmos

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(Angola)

Nos últimos 18 anos, a fotógrafa Holanda Cavalcanti tem aproveitado as inúmeras idas e vindas ao continente africano a trabalho, como fotógrafa da revista da Odebrecht, para retratar a beleza de crianças e adultos nas ruas de Moçambique, Angola ou da Libéria, assim como já fazia em sua Bahia natal. Em setembro, expôs algumas das fotos numa galeria em Luanda, sob o título Gente Bela. As imagens também foram reunidas no livro Ê, Povo, Ê (Versal), onde Holanda fazia um divertido jogo de adivinhação entre fotos da Bahia e de Angola. “Eles são muito parecidos, fisicamente e nos costumes, na alegria e na música”, diz.

O NGola Ritmos foi um grupo fundado nos anos 1950 por Carlos Vieira Dias, conhecido como Liceu ou Tio Liceu, considerado o pai da música popular angolana. Nele despontou a cantora Lourdes Van-Dumen, a Tia Lourdes, uma das maiores cantoras de Angola. Escreviam suas letras em quimbundo (língua do grupo banto falada no noroeste do país africano) e se caracterizaram por misturar a percussão africana com o violão. Liceu, um dos fundadores do MPLA (Movimento pela Libertação de Angola), acabou perseguido por suas atividades políticas, foi preso e deportado para Cabo Verde e só voltou a Luanda dez anos depois. Em sua ausência, os NGola Ritmos se consolidaram como o grupo musical que mais denunciou as injustiças do colonialismo.

Como parte das comemorações do Dia da Consciência Negra no blog, um pouco das fotos de Holanda com trilha sonora de NGola Ritmos. Espero que curtam.

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(Angola)

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(Moçambique)

 

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(Libéria)

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(Angola)

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(Moçambique)

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(Angola)

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Como os bandeirantes paulistas destruíram o Quilombo dos Palmares e mataram Zumbi

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(A Guerra dos Palmares, óleo de Manuel Vítor, 1955)

Em seu afã de continuar a escrever a história sob a ótica dos vencedores, autores de direita têm se notabilizado por divulgar que no Quilombo dos Palmares também havia negros escravizados. Uma “descoberta” que não chega nem a ser novidade: já aparece no clássico O Quilombo dos Palmares, do baiano Edison Carneiro (1912-1972), publicado em 1947 (leia aqui). “Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos. Entretanto, tinham uma oportunidade de alcançar a alforria: bastava-lhes levar, para os mocambos dos Palmares, algum negro cativo”, diz o livro.

Mas qual seria o interesse da direita em desmerecer os quilombos, especialmente Palmares, como sociedades em que os negros podiam ser livres do domínio branco, chefiados por si mesmos e com suas próprias regras e leis? A primeira intenção certamente é fazer a abjeta escravidão de seres humanos negros parecer “menos cruel” e “normal” afinal, se até nos quilombos havia escravos, não é? Um destes reaças travestidos de historiadores teve a pachorra de afirmar, por incrível que pareça, que existia a possibilidade de ascensão social para os africanos que vinham para cá à força, acorrentados em navios negreiros…

Deseja-se demolir, portanto, o mito fundador da “consciência negra” entre os negros: se o seu principal herói era um “escravocrata”, que sentido teria imaginar uma outra realidade possível, em que o negro estivesse livre dos grilhões impostos pelos brancos? Cairia por terra Palmares e com ele toda a concepção de um Estado negro para onde fugiam todos aqueles que não queriam viver nas senzalas e que alcançou, em seu auge, na segunda metade do século 17, uma população de cerca de 20 mil pessoas. Sem o Quilombo dos Palmares, sem Zumbi, a direita reforça a ideia do negro conformado com sua desgraça, de cabeça baixa, resignado com o “destino” que a história lhe reservou.

Menos óbvio, em minha opinião, é o propósito de tentar livrar a cara dos “heróicos” bandeirantes paulistas na destruição completa de Palmares, o maior dos quilombos e que existiu por quase um século, ameaçando a autoridade das elites açucareiras e da coroa portuguesa. Propagar que também havia escravos nos Palmares funciona como uma espécie de cortina-de-fumaça para o fato de os bandeirantes terem sido responsáveis pelo fim do mais próspero dos quilombos, pouco importa como fosse o seu funcionamento interno. Detalhe: as terras onde se situava Palmares eram consideradas as melhores da então capitania de Pernambuco, e até por isso cobiçadíssimas. E se Palmares tivesse sobrevivido?

“Os quilombolas viviam em paz, numa espécie de fraternidade racial. Havia, nos quilombos, uma população heterogênea, de que participavam em maioria os negros, mas que contava também mulatos e índios. Alguns mocambos dos Palmares, como o do Engana-Colomim, eram constituídos por indígenas, que pegaram em armas contra as formações dos brancos. O alferes Francisco Pedro de Melo encontrou, na Carlota, apenas seis negros entre as 54 presas que ali fez, pois 27 eram índios e índias e 21 eram caborés, mestiços de negros com índias cabixês das vizinhanças. E os negros chegaram a estabelecer comércio regular com os brancos das vilas próximas, trocando produtos agrícolas por artigos manufaturados. (…)

O motivo das entradas parece estar mais na conquista de novas terras do que mesmo na recaptura de escravos e na redução dos quilombos. (…)Era voz corrente que as terras dos Palmares eram as melhores de toda a capitania de Pernambuco e a guerra de palavras pela sua posse só não foi menor, nem mais suave, do que a guerra contra o Zumbi. O quilombo do rio das Mortes ficava exatamente no caminho dos abastecimentos para as lavras de Minas Gerais, o que pode dar uma ideia do valor das suas terras e da riqueza econômica que representavam, e é nessa circunstância que se encontra a razão da crueldade de Bartolomeu Bueno do Prado, que de volta a Vila Rica trouxe 3900 pares de orelhas de quilombolas.” (Edison Carneiro)

A construção do mito do bandeirante como “herói” pela elite paulista passa, sem dúvida, pela destruição do Quilombo dos Palmares. Não à toa, Domingos Jorge Velho, algoz de Zumbi, foi eternizado numa pintura de Benedito Calixto, uma das muitas obras de arte encomendadas pelo governo de São Paulo no início do século 20 para enaltecer os bandeirantes como símbolo da “superioridade paulista”. Sintomaticamente, Velho, que era mameluco, foi pintado à imagem e semelhança dos barões do café, em pose idêntica à dos quadros que retratavam a monarquia europeia: branco, bem-vestido, bem-cuidado, altivo e robusto.

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(Domingos Jorge Velho mitificado por Benedito Calixto, 1903)

Com uma estratégia digna de qualquer marqueteiro de hoje, implantava-se assim, no inconsciente coletivo, a ideia de que a elite cafeeira era descendente direta dos “valentes” bandeirantes e que o paulista seria, por natureza, mais “batalhador” que os demais brasileiros. Percepção que, pelo que temos visto, permanece viva na memória de boa parte dos habitantes do Estado até hoje.

Alcunhado mais tarde “herói dos Palmares”, o sanguinário Domingos Jorge Velho, atual nome de rua em 12 cidades de São Paulo, foi contratado pelo governador de Pernambuco para esmagar o Quilombo quando estava “aposentado” no Piauí, vivendo nas terras que tomara dos índios, cercado de concubinas. O governador deu plenos direitos ao “coronel”, como foi logo chamado, inclusive o de prender qualquer branco que ajudasse os negros do Quilombo dos Palmares. Se bem sucedidos, o bandeirante e seus homens seriam recompensados com dinheiro e terras, embora os vizinhos de Palmares preferissem os negros aos “bárbaros” paulistas por perto.

O bispo de Pernambuco assim descreveu o “heróico” bandeirante em carta ao rei: “Este homem é um dos maiores selvagens com que tenho topado: quando se avistou comigo trouxe consigo língua (intérprete), porque nem falar sabe, nem se diferencia do mais bárbaro tapuia mais que em dizer que é cristão, e não obstante o haver-se casado de pouco, lhe assistem sete índias concubinas, e daqui se pode inferir como procede no mais”.

O que aconteceu em Palmares foi um banho de sangue e o aprisionamento de mulheres e crianças. “Foram tantos os feridos que o sangue que iam derramando serviu de guia às tropas que os seguiram”, escreveu o governador Caetano de Melo e Castro. Ficara acertado que as presas menores de 12 anos seriam vendidas aos paulistas. Os meninos menores de 12 anos ficariam em Pernambuco. Às negras com crias também foi permitido permanecer na capitania até que os rebentos chegassem à idade de três anos, quando “poderão viver sem o leite de suas mães”. Somente um ano depois da queda dos Palmares, porém, é que Zumbi foi capturado e morto.

Conta Edison Carneiro:

“Os moradores do Rio São Francisco (Penedo) conseguiram prender um dos auxiliares imediatos do Zumbi –’um mulato de seu maior valimento’, como dizia o governador Caetano de Melo e Castro.

O prisioneiro estava a caminho do Recife, sob escolta, quando o grupo deu com uma tropa, ‘que acertou ser de paulistas’, comandada pelo capitão André Furtado de Mendonça. Provavelmente os paulistas torturaram o mulato, pois este, ‘temendo… que fosse punido por seus graves crimes’, prometeu que, se lhe garantissem a vida em nome do governador, se obrigava a entregar o ‘traidor’ Zumbi. A oferta foi aceita e o mulato cumpriu a palavra, guiando a tropa ao mocambo do chefe negro.

O chefe dos Palmares já se tinha desembaraçado da família e se encontrava apenas com 20 negros. Destes, distribuiu 14 pelos postos de emboscada e, com os seis que lhe restavam, correu a esconder-se num sumidouro ‘que artificiosamente havia fabricado’. A passagem, porém, estava tomada pelos paulistas. O Zumbi ‘pelejou valorosa ou desesperadamente, matando um homem, ferindo alguns, e não querendo render-se, nem os companheiros, foi preciso matá-los…’.

Somente um dos homens do Zumbi foi apanhado vivo.

Domingos Jorge Velho, mais tarde, em requerimento a Sua Majestade, dizia, expressamente, que o Zumbi fora liquidado por ‘uma partida de gente’ do seu Terço, que topara com o chefe negro a 20 de novembro de 1695.

A carta do governador, em que contava detalhadamente o episódio, está datada de 14 de março de 1696, mas Caetano de Melo e Castro conhecia a notícia muito antes, pois já recebera dos Palmares a cabeça do Zumbi e a mandara espetar num poste, ‘no lugar mais público desta praça’ (o Recife), para satisfação dos ofendidos e para atemorizar os negros, que consideravam ‘imortal’ o chefe palmarino. O atraso certamente decorreu das dificuldades de navegação: o governador viu-se forçado a mandar a sua carta por um patacho que seguia para a ilha da Madeira, na esperança de que ali houvesse navio que ‘com maior brevidade’ chegasse a Lisboa, pois não queria ‘dilatar’ a nova a Sua Majestade.

A morte do Zumbi teve lugar, como o indicam esses documentos, a 20 de novembro de 1695 quase dois anos depois de destroçado o reduto do Macaco.”

Diz-se que o negro Zumbi foi morto com 15 ferimentos a bala e mais de 100 golpes de armas brancas. Um de seus olhos teria sido arrancado, assim como a mão direita. O pênis foi cortado e enfiado em sua própria boca. A cabeça foi salgada e levada para o Recife para ser exposta em praça pública. O bandeirante Domingos Jorge Velho morreu em 1705, aos 64 anos, em sua fazenda na Paraíba.

Para mim, parece bem claro quem é o herói desta história. Para a direita, não.

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Mauricismo X Bolivarianismo, uma tendência

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(À esquerda, o mauricinho presidenciável Lacalle Pou, do Uruguai. Foto: divulgação)

Tive a antevisão dessa ofensiva tempos atrás, no início dos anos 2000, quando assisti os mauricinhos abandonarem suas trincheiras na Vila Olímpia, bairro coxinha por excelência, e invadirem a Vila Madalena, tradicional bairro boêmio e alternativo de São Paulo. Naquele momento, pressenti e temi que algum dia eles quisessem ir além e decidissem tomar o poder. A ideia de uma revolução mauricinha me deu calafrios. Pronunciei mentalmente um “no pasarán” apaziguador e fui afogar as mágoas tomando umas cervejas no Empanadas. Mais de dez anos depois, porém, para meu desgosto, a profecia se cumpriu.

Mauricinhos, playbas, coxinhas. Chamem-nos como quiserem: trata-se do mesmo personagem de corte de cabelo impecável e com uma preferência indesculpável pelo mocassim. Hugo Chávez os chamava “esquálidos”. Na Argentina e Uruguai, são apelidados “chetos”. No Chile os chamam “cuicos”. Em comum, em primeiro lugar, o fato de serem homens jovens, brancos e bem-nascidos, uma espécie de versão sul-americana dos WASP (White, Anglo-Saxon and Protestant). Nem tão brancos, portanto, e católicos. Para quem acha que foi o PT quem inventou a luta de classes, não deixa de ser curioso observar que a disputa entre a esquerda e os filhos da elite política, econômica e midiática é, na verdade, uma tendência no continente.

O figurino coxinha pode até ser emulado por wannabes de várias classes sociais, mas só o legítimo mauricinho tem berço: descende de famílias poderosas há gerações e trilha o mais atapetado dos caminhos para chegar lá. Boas escolas, boas relações, bons empregos sobretudo no aconchego das empresas da família. Self-made men são raríssimos no seleto clube dos maurícios, onde o sobrenome é tão imprescindível quanto as camisetas gola pólo ou as camisas de algodão azul clarinho no guarda-roupa. O mais gozado disso tudo é que, com uma vida tão facilitada pela família, todos eles adoram defender a “meritocracia”.

Graças ao apoio ostensivo da mídia, os mauricinhos vêm se tornando, nos últimos anos, os principais rivais dos governos de esquerda na América do Sul. Eles são a antítese dos ditos “bolivarianos” em tudo. Falam inglês, ao contrário de Lula; estudaram nos melhores colégios, em contraste com a falta de polidez de Chávez ou Nicolás Maduro; se vestem de maneira elegante, em contraponto ao estilo mal-ajambrado de Pepe Mujica ou Dilma Rousseff; e são jovens contra coroas de esquerda como Mujica, Dilma, Lula ou Tabaré Vázquez.

O precursor dos playbas anti-bolivarianos foi, sem dúvida, Henrique Capriles, na Venezuela. Herdeiro de empresas de comunicação, imobiliárias e indústrias por parte de pai, e de uma cadeia de cinemas por parte de mãe, o advogado Capriles, de 42 anos, elegeu-se deputado pela primeira vez aos 26, em 1998. Em 2013, deu muito trabalho a Chávez na disputa pela presidência e mais ainda a Nicolás Maduro, que substituiu o comandante em nova eleição após a morte deste.

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(Os mauricinhos venezuelanos Henrique Capriles e Leopoldo López)

Apesar de ter perdido o pleito por uma diferença de pouco mais de um ponto percentual, Capriles só não se tornou o grande nome da oposição venezuelana porque passou a travar uma disputa, digamos, mauricida com um companheiro da própria MUD (Mesa da Unidade Democrática), Leopoldo López. Aos 43 anos, López é descendente do primeiro presidente da Venezuela, de ministros, médicos famosos, e, garante, do próprio Simón Bolívar (Capriles, aliás, diz o mesmo). Sua mãe foi uma importante diretora da PDVSA antes da estatização promovida por Chávez. Formou-se em economia nos Estados Unidos e, aos 29 anos, tornou-se prefeito de Chacao, um dos municípios que formam a área metropolitana de Caracas. López está preso desde fevereiro, acusado pelo governo Maduro de instigar ações violentas durante os protestos contra seu governo.

No Brasil, confesso que cheguei a temer que o rei dos coxinhas em pessoa, Luciano Huck, resolvesse se candidatar à presidência ou a vice de algum candidato este ano. Mas quem se lançou foi seu amigo Aécio Neves, do PSDB, com perfil em tudo similar ao dos venezuelanos. Neto de Tancredo Neves, Aécio conseguiu cargos públicos ainda bastante jovem e sem maior esforço. Foi diretor de loterias da Caixa Econômica aos 25 anos, nomeado pelo presidente José Sarney, e em seguida se elegeu deputado federal com uma votação esmagadora, alavancado pelo sobrenome de peso.

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(O mauricinho brasileiro Aécio Neves e seus bons companheiros Luciano Huck e Ronaldo)

Aécio pode ser considerado um pioneiro do movimento mauricista, porque é mais velho do que seus congêneres sul-americanos: todos eles em geral estão entrando nos 40 anos, enquanto o mineiro tem 54, conservadíssimos pelo estilo de vida jovial de quem passou boa parte da vida na zona sul do Rio de Janeiro. No entanto, é inegável que o grande patrono do fenômeno dos maurícios entre nós é o hoje senador da base governista (!) Fernando Collor de Mello.

Eleito para a presidência da República em 1989, aos 40 anos, Collor exibiu todas as características de um mauricinho no poder. Bons restaurantes, bons vinhos, carros velozes, jet-skis e até marcas de caneta (Montblanc) e relógio (Breitling) viraram símbolo de sua era. Na economia, cercou-se de jovens como ele, economistas liberais capitaneados por Zélia Cardoso de Mello, de 37 anos a equipe que iria tungar a poupança dos brasileiros em 1990. Seu governo, sem apoio no Congresso, terminaria em impeachment.

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(Collor, um pioneiro do mauricismo na política, e seu jet-ski)

Aécio, como todos os demais mauricinhos anti-bolivarianos, não assume o neoliberalismo do pensamento econômico tucano e se diz preocupado também com o social. Depois de uma disputa voto a voto com Dilma Rousseff, do PT, pode-se dizer sem chance de errar que o neto de Tancredo se tornou o maior expoente do mauricismo pátrio não à toa, tem a seu lado nomes de peso da tendência, como o já citado Huck, o baiano ACM Neto ou Ronaldo, o Fenômeno. Mas será que a mauricidade de Aécio resiste até 2018, quando terá 58 anos e a cabeça toda branca? Ou será substituído por um maurício mais jovem, como… Huck? Argh.

Atualmente, a novidade mais quente entre os mauricinhos da política do Cone Sul é o uruguaio Lacalle Pou, que irá enfrentar o esquerdista Tabaré Vázquez no próximo dia 30 de novembro, no segundo turno das eleições para a presidência do Uruguai. O advogado de 41 anos é tão bem-nascido que tem até nome de nobre: Luis Alberto Aparicio Alejandro Lacalle Pou de Herrera. Um verdadeiro príncipe. Seu pai, Luis Alberto Lacalle, foi presidente do país entre 1990 e 1995, e foi derrotado por Tabaré em sua tentativa de voltar ao cargo, em 1999. Em 2009, se lançou à presidência novamente e perdeu para Mujica.

Lacalle Pou estudou na British School, a mais seleta escola de Montevidéu, e, como todos os mauricinhos anti-bolivarianos, entrou cedo na política, com o empurrãozinho do sobrenome paterno e também materno, de longa tradição entre os “blancos” (Partido Nacional). Aos 27 anos, em 2000, se elegeu deputado. Agora, se tornou a grande surpresa da eleição ao levar a disputa no país para o segundo turno. A mãe do candidato, Julita Pou, também foi senadora, e, segundo diz a imprensa uruguaia, é a grande financiadora da campanha do filho, o que ele nega.

Em agosto, o candidato causou polêmica ao “desafiar” Tabaré, de 74 anos, a repetir uma estripulia física chamada “bandeira” com um poste, o que lhe rendeu o apelido de “Lacalle Pole” e muita gozação na internet, além de críticas por zombar do adversário por ser “velho”.

O pai de Lacalle Pou foi um presidente em cujo governo se acentuou a desigualdade social no Uruguai e que se notabilizou pela privatização de empresas e pelas denúncias de corrupção. Lacallito rejeita para si o epíteto de neoliberal ou de “Chicago Boy” (os economistas responsáveis pelo “milagre” chileno durante a ditadura de Pinochet que anteciparam o neoliberalismo). Pelo contrário, elogia as conquistas da Frente Ampla de Mujica e Tabaré e diz que irá mantê-las. Quem nunca viu este filme antes?

Se ganhar a eleição, Lacalle Pou será o primeiro dos mauricinhos anti-bolivarianos a conseguir derrotar um esquerdista e chegar ao poder. Felizmente, ao contrário do que fez Chávez na Venezuela, são remotas as chances de, eleito, mudar o nome do país para República Maurícia do Uruguai ou República “Cheta” do Uruguai. Pelo sim, pelo não, melhor preparar a camiseta pólo e o mocassim para a posse.

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Uma entrevista com o poeta Manoel de Barros (1916-2014)

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(O sorriso do poeta. Foto: Renata Caldas/Correio Braziliense)

Hoje morreu, em Campo Grande (MS), o poeta cuiabano Manoel de Barros, aos 97 anos. Há exatos 16 anos tive a enorme honra de entrevistá-lo, coisa rara, porque ele não gostava de dar entrevistas. O poeta exigiu que a conversa não fosse gravada e tive que anotar tudo num bloquinho da Folha de S.Paulo em velocidade cometa. Foi um papo delicioso, claro, num café do Leblon.

O lúdico, onírico, quase surreal da poesia de Manoel de Barros me emociona. É como viajar de ácido sem ter tomado ácido.

Bernardo

Bernardo já estava uma árvore quando
eu o conheci.
Passarinhos já construíam casa na palha
do seu chapéu.
Brisas carregavam borboletas para o seu paletó.
E os cachorros usavam fazer de poste as suas
pernas.
Quando estávamos todos acostumados com aquele
bernardo-árvore
ele bateu asas e avoou.
Virou passarinho.
Foi para o meio do cerrado ser um arãquã.

Sempre ele dizia que o seu maior sonho era
ser um arãquã para compor o amanhecer.

Ao mesmo tempo, Manoel era um mago no uso das palavras, um laborioso esteta do léxico. Em nossa conversa, ele fala de um dicionário desbeiçado de tanto manuseio…

Retrato do Artista Quando Coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

Vale a pena ler a entrevista (publicada originalmente no jornal Folha de S.Paulo em 10/11/1998).

***

manoeldesenho

(Desenho de Manoel de Barros exibido no filme Só Dez Por Cento É Mentira, de 2008)

Homem puro em estrofes

CYNARA MENEZES 
enviada especial ao Rio 

A poesia do mato-grossense Manoel de Barros, 81, deve menos à exuberante paisagem pantaneira que à inveja confessa que sente do matuto Bernardo, peão de sua fazenda há mais de meio século. “Bernardo é o que eu queria ser”, diz o poeta.

Essa inveja que Manoel de Barros nutre por Bernardo é tão grande que muito do que há no novo livro do poeta, Retrato do Artista Quando Coisa, é, na verdade, inspirado no peão. A “coisa” é Bernardo, não Manoel. “Retrato do artista quando coisa: borboletas já trocam as árvores por mim”, diz o poema que abre o livro. É puro Bernardo, encarnação viva do “bom selvagem” de Rousseau, cuja inocência Manoel de Barros persegue como um tolo busca a sabedoria.

Nos ombros de Bernardo, qual coisa que é, pousam insetos e passarinhos. Foi contratado pela família do poeta quando tinha 18 anos, para cuidar de uma tia de Manoel, louca furiosa e mantida presa em um quarto com grades. “Quando ela viu Bernardo, ficou mansa. Os puros têm uma inocência que transmitem aos loucos, aos bichos e aos poetas, também”, diz o escritor.

A nova obra de Manoel de Barros está repleta desses “puros” de espírito tão invejados há, além de Bernardo, o índio guató Salustiano e os andarilhos Passo-Triste e Pote Cru, saudados por ele como pastores que o guiarão até a inocência.

A busca começou ainda nos anos 30. Nascido em Cuiabá em dezembro de 1916, aos 20 bem antes, portanto, de beatniks e hippies aparecerem, Manoel enveredou por uma viagem que começou na Bolívia e terminou em Nova York. Entre os índios bolivianos, “fascinado”, permaneceu seis meses. A cultura dos museus e teatros seria o choque que viria depois, já em território norte-americano. O encontro dos dois mundos fortaleceu a admiração pelos clowns do cinema que persiste até hoje.

“Gosto de Chaplin, do Gordo e o Magro, dos Trapalhões, dos irmãos Marx”, diz Manoel. “Todos os dias acordo às cinco da manhã, tomo guaraná meu pai me viciou, vou para o escritório e lá fico descascando palavras. Quando desço, ao meio-dia, tomo um uísque (bebe álcool diariamente) e ligo a TV para ver o Chaves.”

O escritor, que, é preciso dizer, também possui um jeito clowniano à Groucho Marx, com seu bigode e cabelos brancos em desalinho, explica que usa o palhaço mexicano como um respiro. “É para me livrar um pouco da literatura, que dá muita angústia.” Diz-se tímido, mas é simpático e bem-humorado. Conta que trabalha com lápis e borracha para apagar as “besteiras” quando aparecem. “A borracha é minha salvação”, brinca. A mulher, Stella, companheira há 51 anos, é a primeira leitora e a maior crítica.

“Quando acho que já ‘pari’, mostro para ela, que diz: “Não está bom ainda, vai trabalhar’. Isso umas três vezes. Quando ela diz que está bom, aí eu mando para a editora tranquilo.”

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(Capa da primeira edição do Compêndio…, de 1960)

“As palavras se oferecem no cio para mim”

Se Drummond dizia lutar com a palavra, Manoel de Barros afirma “bolinar” os vocábulos, como um amante desavergonhado. “As palavras se oferecem no cio para mim. Tenho uma relação erótica com elas”, diz o poeta mato-grossense. De tanto “bolinar”, seu dicionário favorito está “desbeiçado”, com a lombada torta das retiradas frequentes da estante.

Diz não possuir inspiração, poemas que o acordem no meio da noite, mas, às vezes, vê surgir uma idéia, uma palavra. “Quem tem muita informação perde o condão de adivinhar”, ensina. “A poesia nasce do desconhecido.” O tempo para a “bolinação” diária foi obtido após anos de trabalho pesado na fazenda herdada do pai, no Pantanal, levantando cercas, construindo a casa, tratando do gado.

“Passei dez anos dependurado em bancos. Não dormia, não fazia versos. Isso tudo só para conquistar a vagabundagem. Não sou Dostoiévski para escrever sob pressão. Construí meu ócio”, diz. Trauma de juventude: morou no Rio na mesma pensão que Graciliano Ramos e ainda guarda a visão do escritor apertado com família e filhos em um quarto, escrevendo em um canto, o copo de pinga e muitas bitucas de cigarro à frente.

Manoel já era escritor naquela época. Escreveu seu primeiro livro, Poemas Concebidos sem Pecado, aos 19. Ficou conhecido, porém, só aos 64, em 1980, quando Millôr Fernandes, que ilustra sua nova obra, recebeu um livro seu e o divulgou. Surgiram os rótulos: “poeta ecológico”, “surrealista”, “primitivo”. O último é o menos rejeitado. Ecológico é o pior. “Poesia para mim é linguagem, não paisagem”, diz. “Dentro de mim existe um lastro que é o brejal. Misturo dicionários com o brejo, não faço nada mais do que isso.”

Não só coloca o Pantanal como elemento (e não tema central) de sua obra, como diz adorar o Rio, onde passou parte da infância e juventude. Uma frase sua encerra a discussão: “Vivo no Pantanal, mas gosto mesmo é do Leblon”. Tão recente, a fama o incomoda. Entrevistas, só sem gravador. Mas, quando fala dos prêmios que têm recebido, os olhos pequenos brilham de contentamento. Na quinta-feira passada, no Rio, recebeu o mais recente deles, pelo reconhecimento da obra, concedido pelo Ministério da Cultura.

Então se metamorfoseou de vez em Bernardo, na reação simples e sem vaidade, como peão que embolsasse os ganhos pela empreitada. “Gosto de prêmios quando tem dinheiro. Esse é bom, “vinte e cincão’ (R$25 mil). Descobriram que tenho uma obra.”

***

Assista também ao documentário Só Dez Por Cento É Mentira, de 2008, dirigido por Pedro Cezar. Uma viagem no universo de Manoel de Barros com entrevistas inéditas do poeta.

Como bônus, um vídeo com os poemas de Manoel de Barros, desenhos de Evandro Salles, música de Tim Rescala, roteiro de Bianca Ramoneda e direção de Márcia Roth: histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo.

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O pequeno livro vermelho de canções socialistas (dos Estados Unidos)

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Entre os relatos sobre “vencidos” pouco conhecidos das novas gerações, um é particularmente fascinante: a história do sindicalismo de tendência socialista e anarquista que dominou os Estados Unidos no início do século 20. Como quaisquer “vermelhos” ao longo dos anos, os líderes sindicais norte-americanos foram perseguidos pelas autoridades, presos ou executados até que sobrasse quase nada do seu legado. Ficaram, porém, canções.

Os marxistas alemães que chegaram aos EUA após o fracasso da revolução de 1848 são considerados os primeiros socialistas em território norte-americano e influência primordial sobre o sindicalismo que se instalaria no país a partir de 1886. Disseminadas pelos sindicatos de trabalhadores, as ideias de esquerda começaram a se espalhar na pátria do capitalismo e só foram contidas, como sempre, com o uso da força. O maior e mais radical destes sindicatos, o IWW (Trabalhadores da Indústria Mundial, na sigla em inglês), criado em 1905, chegou a ter 40 mil filiados em seu auge, em 1923. Era, na época, o único sindicato norte-americano que aceitava mulheres, negros e asiáticos.

Perseguidos pela primeira caça às bruxas contra comunistas empreendida pelo governo norte-americano, entre os anos 1919 e 1920, os Wobblies, como eram chamados, se esvaziaram e perderam a queda-de-braço com um sindicato rival, mais conservador e visto com melhores olhos pelo governo, a AFL (Federação Americana do Trabalho). Com a paranóia anti-bolchevique instalada no país após a eclosão da revolução russa, em 1917, centenas de sindicalistas foram presos, mortos ou deportados. Marchar com a bandeira vermelha no Dia do Trabalho já era causa para prisão.

Há histórias dramáticas, como a de Frank Little, membro do IWW que foi linchado em 1917 por um grupo de encapuzados que invadiu o hotel onde estava hospedado em Butte, Montana, onde organizava uma greve de mineradores. Em seu peito, os assassinos deixaram uma nota onde se lia “primeiro e último aviso”, ao lado das iniciais dos nomes de outros sindicalistas da organização.

Joe Hill, nascido Joel Haggalund, foi um imigrante sueco que chegou aos Estados Unidos em 1902, aos 23 anos. Mudou seu nome para Joe Hillstrom e ficou famoso como Joe Hill, ativista e compositor de canções engajadas, criadas para atrair os trabalhadores para a causa operária. Um dos principais líderes do IWW, Hill foi condenado à morte em 1915, em um julgamento polêmico, por supostamente ter assassinado um comerciante e seu filho.

Após a execução de Joe Hill, aumentaram as perseguições ao sindicato, com a polícia invadindo as sedes e prendendo membros. Hill se tornaria um símbolo do trabalhismo norte-americano e inspiração para várias canções de música folk. Seu testamento era lido em recitais e shows durante as décadas de 1960 e 1970:

(Escrito em sua cela em 18 de novembro de 1915, na tarde em que seria executado)

My will is easy to decide,
For there is nothing to divide.
My kind don’t need to fuss and moan –
“Moss does not cling to a rolling stone.”

My body? Ah, If I could choose,
I would to ashes it reduce,
And let the merry breezes blow
My dust to where some flowers grow.

Perhaps some fading flower then
Would come to life and bloom again.
This is my last and final will.
Good luck to all of you.

Joan Baez canta a Balada para Joe Hill, de Alfred Hayes e Earl Robinson, no festival de Woodstock, em 1969:

Em 1909, oito anos antes da revolução russa, Joe Hill, Ralph Chaplin, T-Bone Slim e outros compositores socialistas ligados ao IWW fizeram um livro de canções que se tornaria conhecido como “The Little Red Songbook” e que foi reeditado pela última vez em 2010. Entre as célebres canções do livro vermelho, está The Rebel Girl, que Hill escreveu em homenagem a uma sindicalista pioneira, Elizabeth Gurley Finn (1890-1964).

A feminista Elizabeth havia conhecido o socialismo na infância, por intermédio dos pais, ambos radicais de esquerda. Considerada uma oradora poderosa, foi detida diversas vezes desde a adolescência, como militante e uma das organizadoras do IWW. Filiada ao Partido Comunista norte-americano a partir de 1937, foi finalmente condenada a dois anos de prisão em 1951, durante o macartismo, a nova onda de perseguições aos vermelhos nos Estados Unidos que se iniciara após a Segunda Grande Guerra.

rebelgirl

A “garota rebelde” morreria na União Soviética, aos 74 anos, durante uma das muitas visitas que fez ao país comunista. A canção que a imortalizou foi regravada pelo sueco Mats Paulson em um tributo ao conterrâneo Joe Hill em 1968.

As canções trabalhistas reunidas no livro utilizavam o humor e o sarcasmo para satirizar as religiões e a exploração capitalista e, ao mesmo tempo, cativar os operários. Era uma estratégia de Joe Hill: em vez de dar folhetos políticos para os trabalhadores lerem, espalhava canções com refrões fáceis de lembrar. “Um folheto, não importa o quão bem escrito que seja, nunca é lido mais de uma vez, enquanto as canções são aprendidas de cor e repetidas diversas vezes”, ensinava o mártir do sindicalismo de esquerda. 

Entre os títulos, Trabalhadores do mundo, despertai, versão em inglês da Internacional por Joe Hill, The Road to Emancipation, de Lone Wolf, Paint’er Red, de Ralph Chaplin, ou Casey Jones – The Union Scab, paródia de Hill da canção em homenagem ao maquinista que, em 1900, preferiu a morte a saltar do trem que conduzia, evitando assim que descarrilasse. Era uma noite de intensa neblina e o trem de Jones acabaria por se chocar contra uma locomotiva de carga parada, mas, graças a seu heroísmo, foi a única vítima fatal e se tornou um mito entre os ferroviários dos EUA. Mas Hill o pinta como um fura-greve. Ouça a canção com Pete Seeger, cantor e ativista morto este ano:

Joe Hill foi personagem de uma produção sueco-americana de 1971. Dirigido por Bo Widerberg, o filme ganharia o prêmio do júri no Festival de Cannes. Assista aqui, em inglês, sem legendas.

joehill

O líder socialista sueco Ture Nerman (1886-1969) escreveu uma biografia do ícone trabalhista e traduziu seus poemas. Em 2011, foi publicada uma biografia de Joe Hill nos Estados Unidos, The Man Who Never Died, de William M. Adler, que investigou o crime pelo qual Hill acusado. O escritor defende que o sindicalista foi condenado injustamente, mas que deixou de oferecer um álibi para salvaguardar a honra de uma donzela, mas também, de certa forma, por se achar mais útil à causa como mártir. Há ainda um documentário sueco sobre Joe Hill disponível no youtube, com legendas em inglês:

Bob Dylan escreveu sobre Joe Hill no primeiro volume de suas Crônicas. O compositor descreve o líder sindical como “precursor” de Woody Guthry, um elogio e tanto, já que o cantor e compositor folk foi o maior ídolo de Dylan, que o imitava em suas primeiras apresentações. Bob Dylan comenta sobre o julgamento de Hill, que considera uma farsa. “Quem lê a história dele percebe seu caráter e vê que seria incapaz de matar um balconista de mercearia à toa. Tudo em sua vida fala de honra e justiça. Mas, para os políticos e industriais que o odiavam, era um criminoso perigoso e um inimigo da sociedade. Foi condenado antes mesmo do julgamento”, escreveu. O que Bob não gosta é da canção que foi escrita para Joe gravada por sua ex-mulher, Joan Baez, e outros grandes nomes. Acha fraca. Fantasia, inclusive, como seria a canção se ele a tivesse composto. Nunca o fez.

Mas a mais incrível história sobre o sindicalista vermelho só foi revelada 25 anos atrás. Após a execução de Hill, seu corpo foi cremado e suas cinzas colocadas em 600 envelopes que deveriam ser enviados para sindicatos, partidos e organizações ao redor do mundo. Entretanto, em 1988, descobriu-se que um dos envelopes com as cinzas havia sido confiscado pelos correios em 1917 por “conteúdo subversivo”. Com uma foto de Joe Hill, trazia as inscrições “assassinado pela classe capitalista”. O sindicato recebeu as cinzas de Hill de volta e as enviou para serem sopradas ao vento no Canadá, Nicarágua, Austrália e Suécia, como era seu desejo…

Daria um grande filme de Oliver Stone, não? É possível conferir online uma edição de 1968 do Little Red Songbook aqui.

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